Slow Fashion: Será que você pratica sem saber?

Em oposição ao fast fashion, o Slow Fashion é um movimento de moda sustentável criado pela inglesa Kate Fletcher o qual traduz para a moda os conceitos do pioneiro Slow Food: consumo consciente, valorização da cadeia de produção, sustentabilidade socioambiental, e diversidade. Mas será que realmente é necessário conhecer o movimento para praticar seus conceitos?

Bom, vou lhes contar um caso…

Slow Fashion anos 80 mãe

Mãe…

Quando criança, o guarda-roupas de minha mãe era-me objeto de fascínio. Embora nunca houvesse sido instruída a não abrir, faltava-me ousadia, ultrapassar o limite de quaisquer das seis grandes portas que o compunha soava como algo proibido. Lembro-me com a vivacidade fresca de algo recentemente acontecido do quão encantador era o momento em que mamãe escancarava aquele mundo mágico de tecidos e cores no momento de vestir-se.

Ao sentir o cheiro de amêndoas doces saindo pela porta do banheiro, eu sabia que tal momento estava próximo, então corria para seu quarto e esperava sobre a cama apenas pelo prazer de observá-la. Suas mãos percorrendo os cabides e gavetas com delicada destreza ao passo em que o ar se enchia de Patchouli, fragrância esta que apenas 20 anos depois fui descobrir o nome. Era bonito ver a relação carinhosa travada entre minha mãe e suas peças de roupas. Independentemente do ano em que elas haviam sido adquiridas, as novas e antigas recebiam igual carinho, tanto que era complicado discernir entre peças datadas de décadas e as suas últimas aquisições.

Com o passar dos anos fui descobrindo que o guarda-roupas de minha mãe guardava a história de uma vida, haviam roupas que pareciam “da moda” de tão conservadas e atuais, mas que na verdade foram adquiridas décadas antes do meu nascimento. Haviam bolsas e sapatos com o frescor de lojas, mas que na verdade possuíam mais aniversários do que eu. Suas roupas e acessórios não eram descartáveis.

Independentemente do ano e das estações, mamãe sabia o que e quando combinar, ela sempre saía elegantemente vestida com seu acervo de anos como se tivesse acabado de tomar um banho de loja.

Mamãe não seguia conceitos de minimalismo tampouco deixava de comprar algo que lhe agradava por causa do preço elevado, pelo contrário, ela gostava de qualidade e, mesmo sem nunca ter estudado sobre o assunto nem consumido revistas de moda, ela sabia diferenciar uma peça cujo investimento valia a pena de outra cujo valor residia apenas no nome da marca estampado na etiqueta.

Pouca coisa mudou entre o guarda-roupas que eu observava com 5 anos de idade e o guarda-roupas de hoje em dia. Após 20 anos minha mãe ainda possui boa parte daquelas peças, peças que ainda guardam o frescor de recém compradas e que ainda parecem pertencer à coleção mais recente da estação. “Herdei” várias peças de minha mãe, curiosamente visto o mesmo número que ela vestia quando tinha a minha idade embora eu seja 30 centímetros mais alta. Quando uso tais peças, pessoas param-me para elogiar e perguntar onde comprei. Mamãe não faz ideia do que é esse tal de Slow Fashion, porém sempre praticou quatro grandes pilares desse movimento ao longo de sua vida: qualidade, atemporalidade, versatilidade e conservação.

Slow Fashion: Para exercer, não é preciso saber o nome.

Slow Fashion compre menos e melhorConfesso-lhes que no entremeio me perdi entre as adolescentes trocas de estilo, entre os apelos de marketing das roupas baratas e sazonais das lojas de fast fashion, entre os inúmeros blogs de “looks do dia” nos quais repetir uma peça de roupa parece pecado capital. Porém seria inevitável acordar uma vez que o Slow Beauty já faz parte de minha vida.

Agradeço à Dona Bete por ter me mostrado na prática boa parte do que é o Slow Fashion décadas antes de eu saber que tal maneira de encarar a moda possui nomenclatura. Aliás, décadas antes de tal nomenclatura existir!

É claro que o movimento Slow Fashion também abarca uma série de questões sócio ambientais sobre as quais ainda conversaremos aqui no AB. Porém realmente acredito que, assim como eu, vários de vocês também assimilaram pilares básicos antes mesmo do conceito receber o um nome. Afinal, consumir com bom senso e consciência independe de movimentos pré-estabelecidos.

 

Ultimo vídeo do canal em 04/03/2016 – Inscreva-se AQUI
(para variar, estou com uma roupa 80`s herdada do guarda-roupas de minha mãe ;) )

E você, tem alguma história para contar sobre sua relação para com o Slow Beauty? Não se acanhe, divida!

Beijos Mil, Karina Viega
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comments

7 comentários on Slow Fashion: Será que você pratica sem saber?

  1. Maria
    4 de março de 2016 at 19:57 (505 dias atrás)

    Kah, a Dona Bete é baixinha? Que gracinha!!!! Eu tenho 1,55… Rsrsrsrs…
    Minha mãe, ao contrário da sua, vive implicando com minhas peças muito antigas. “Já enjoei dessa sua blusa”, ela diz. Rsrsrsrs…
    Estou precisando aplicar esse conceito de slow fashion é para minhas bolsas: estou ficando irritada de ter tantas descartáveis. Rsrsrsrs…
    Abraços, :)

    Responder
    • Karina Viega
      10 de março de 2016 at 7:15 (500 dias atrás)

      Maria, é sim, mas ela nega até a morte! haha
      Nossa, bolsa é realmente complicado, principalmente porque as muuuito boas geralmente são muuuito caras :/
      Uma saída que encontrei foi optar por bolsas de tecido, elas geralmente duram bem mais para mim do que aquelas de couro sintético ;)
      Beijos mil!

      Responder
  2. Gercilia
    9 de março de 2016 at 11:31 (500 dias atrás)

    e nos quesitos carão e cachinhos vê-se as semelhanças

    Responder
    • Karina Viega
      10 de março de 2016 at 7:04 (500 dias atrás)

      haha, será que o carão também é genético? :D rs
      Beijos mil!

      Responder

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